sábado, 7 de junho de 2014

Economia e Sociedade- Fundamentos da Sociologia Compreensiva.



Economia e Sociedade- Fundamentos da Sociologia Compreensiva.
Por Edineia Koeler

Filho de uma família da alta classe média, Weber (1864-1920) encontrou em sua casa um ambiente intelectualmente instigante. Seu pai era um notório advogado e desde cedo orientou-o no sentido das humanidades. Sua mãe era considerada uma mulher muito culta. Weber recebeu excelente educação secundária em línguas, história e literatura clássica. Em 1882, começou os estudos superiores em Heidelberg, continuando-os em Göttingen e Berlim, em cujas universidades dedicou-se ao mesmo tempo à história, à economia, à filosofia e ao direito. Finalizados os cursos, trabalhou na Universidade de Berlim, na condição de livre-docente, paralelamente, servia como assessor do governo.
Weber cresce em uma atmosfera política instigante. Presenciou na infância o processo de unificação da Alemanha na qual seu pai teve participação ativa. Em 1918, já adulto, é representante do governo alemão nas negociações de paz em Versalhes. No mesmo ano participa da comissão encarregada de redigir a Constituição da República de Weimar.
Preocupado em compreender as singularidades da cultura ocidental, e em como constituir uma nação forte numa Alemanha recém unificada, analisa comparativamente várias civilizações em distintos períodos históricos. Para alcançar seus objetivos, em Sociologia Compreensiva, Max Weber, busca em “nações” como Índia, China, Grécia Antiga, Império Romano, França, Estados Unidos, Império Inca, enfim, uma infinidade de estados que constituíram sua força interna e externa das mais diversas formas.
 Além de compreender a formação política, Weber se ocupa em entender como se estabelecem as relações sociais em diversas “esferas” dessas sociedades, abarcando um verdadeiro estudo sociológico desde a composição do poder na “esfera” familiar, religiosa, até a dimensão política.
Weber desenvolve seu trabalho a partir de conceitos fundamentais para compreensão de sua obra. Em Sociologia compreensiva os principais termos abordados pelo autor referem ao “poder” e a “dominação”.
Dominação em Weber significa “uma relação de mando e obediência”. De acordo com o autor só existe dominação onde existem pessoas prontos a obedecer. Discute a questão da legitimação da dominação onde conceitua algumas formas de dominação:
“A dominação legal dá-se em função de um estatuto, seu tipo mais puro é a dominação burocrática. Burocracia em Weber é a forma de legitimar o poder. Através da burocratização a dominação torna-se impessoal. Os subordinados passam a obedecer regras, formulários e papeis e não diretamente a pessoa (superior). Seu princípio é que qualquer direito pode ser criado e modificado mediante um estatuto sancionado desde que seu processo esteja previamente estabelecido. Para Weber, o Estado Moderno e a empresa capitalista são estruturas correspondentes da dominação legal, pois são associações com fins utilitários.
A dominação tradicional dá-se em virtude da crença na santidade dos ordenamentos e poderes senhoriais, sendo seu tipo mais puro a dominação patriarcal na qual o “senhor” comanda e os “súditos” obedecem. Neste caso, “obedece-se a pessoa em virtude de sua dignidade própria, por fidelidade. E o conteúdo das ordens existe pela tradição”. A dominação tradicional é um exemplo de influência de valores morais e éticos existentes desde a antiguidade, que aos poucos foram sendo substituído pela forma de dominação legal.
A terceira forma de dominação legítima é a carismática. É fundada na figura do líder. A obediência, portanto, não passa por um estatuto legal ou tradicional previamente estabelecido, mas, sim, pela figura de uma pessoa que representa as expectativas sociais. A ordem se fundamenta exclusivamente no carisma pessoal em virtude da devoção afetiva ao “senhor” e aos seus dons gratuitos (carisma), vinda de capacidades mágicas, heroísmo, poder do espírito e do discurso.
Finalmente, mas não por fim, weber conceitua poder. “Poder significa toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra resistências, seja qual for o fundamento dessa probabilidade.”
De acordo com o autor, ocorre em todas as relações sociais, e está disseminado em todas as sociedades e grupos sociais. O poder é uma qualidade que um indivíduo ou grupo social possui em relação a outros indivíduos ou grupos. Constitui, portanto, um fenômeno social, e não individual. Sua característica fundamental é que é um componente de uma relação social.
A sociologia de Max Weber é extremamente complexa e difícil de ser sintetizada em poucas páginas. Nesse texto foi possível fazer apenas uma abordagem bem superficial, mas que creio ser importante para compreensão especialmente de alunos que tem seu primeiro contato com esse complexo autor alemão.


WEBER, Max. Economia e Sociedade- Fundamentos da Sociologia Compreensiva. Trad. Barbosa, Regis; Barbosa, Karen Elsabe. 3. ed. v. 1. Brasília: editora UNB, 1994.


Fato social e divisão do trabalho (Segunda versão)



RESENHA
LIVRO: Fato social e divisão do trabalho

Por: Edineia Koeler e Kênya Maquarte Gumes Bregensk (Segunda versão)
  

O livro de Emile Durkheim com apresentação e comentários de Ricardo Musse coloca em destaque duas de suas temáticas de análises sobre FATO SOCIAL E DIVISÃO DO TRABALHO, que está no cotidiano das pessoas, contudo, pode-se afirmar através desta leitura, que não é compreendido em sua totalidade. Tais análises não se limitam a conceituações, vai além, traz uma abordagem completa, rica em detalhes, que são fundamentais para a compreensão destas temáticas.
Para iniciar o tema o autor, Emile Durkheim empreendeu seus esforços em tornar a sociologia uma disciplina científica sistemática (p.7). O seu pensamento permanece atual tornando-o um clássico na área da sociologia. Empenhou-se em compreender a sociedade em seus diferentes estágios. Seus principais pontos de debate discernem-se por meio de conceitos-chave, tais como “solidariedade”, “divisão do trabalho social” e “anomia”.
O termo “solidariedade” é conceituado por Durkheim como “os vínculos que agrupam os indivíduos em conjuntos sociais” (p.9).  Esses vínculos se referem a formas de pensamentos, de sentimentos e de conduta que impulsionam a coletividade.
O fato social tem características definidas como exterioridade, impessoalidade e objetividade, que indicam a prevalência da coletividade sobre os indivíduos (p.9).
Uma das primeiras afirmações que norteia seu trabalho é a de que fatos sociais conceituados a partir da característica exterioridade, são os fenômenos que extrapolam o âmbito individual. Este tipo de conduta se impõe ao indivíduo que se conforma voluntariamente à condição, o que Durkheim denomina coerção. O indivíduo que resiste a essa coerção sofre as penas. O autor exemplifica que caso alguém viole as regras do direito, elas reagem contra o indivíduo. O mesmo ocorre caso o indivíduo, por exemplo, ignore os costumes de se vestir. Segundo Musse essa é a característica do fato social denominada de “poder impositivo”. A coerção é o indício mais forte do caráter externo, impessoal e objetivo do fenômeno social.
O autor traz o argumento de que “Regras jurídicas, morais, religiosas, sistemas financeiras, consistem todas em crenças e práticas constituídas” (p. 17) que definem o fato social. Mas, há outros que se apresentam de forma menos cristalizada, que, no entanto, apresentam as mesmas objetividades sobre o indivíduo.
Quanto à educação, esta tem por objetivo formar o ser social por meio da pressão social “que tende a moldá-la à sua imagem, e do qual, pais e mestres são apenas os representantes e os intermediários” (p. 19). De acordo com Durkheim, a maioria dos fenômenos sociais nos alcança por meio da educação, o que se “evidencia nas crenças e nas práticas que nos são transmitidas completamente prontas pelas gerações anteriores.” Todo fato social possui uma tendência a se generalizar, sendo assumida pela sociedade.
Segundo Durkheim, “uma solidariedade nascida das semelhanças que liga diretamente o indivíduo a sua sociedade é denominada solidariedade mecânica” (p. 33). A solidariedade mecânica se expressa assim, como o conjunto de regras orientadoras da conduta dos membros do grupo social. Onde a verdadeira função da pena está em manter intacta a coerção social. Esse tipo de solidariedade revela-se nas sociedades primitivas como as indígenas, por exemplo, onde os indivíduos possuem funções semelhantes.
Conforme Musse, Durkheim distingue dois tipos de laços que unem os homens à ordem social: a solidariedade mecânica estruturada por meio da consciência coletiva, apresentando-se como uma comunidade de crenças, valores, sentimentos e práticas; e a orgânica decorrente da divisão do trabalho social surgindo como um sistema de funções diferentes e especializadas, que configuras sociedades modernas.
Ao tratar da preponderância progressiva da solidariedade orgânica, Durkheim procura exemplificar o que conceitua como solidariedade mecânica recorrendo à organização social de sociedades que preservam características organizacionais primitivas.
Durkheim explica que “se a divisão do trabalho não produz a solidariedade é porque as relações dos órgãos não são regulamentadas, e que elas estão num estado de anomia (P.68). Ele entende por anomia a ausência de regras, o que considera como o principal problema do mundo moderno onde o trabalhador perde o sentido de seu trabalho e é reduzido à máquina, o que considera transitório, pois compreende que haverá naturalmente, uma regulamentação das relações industriais e do trabalho. Tal situação descrita por Durkheim quando trata da anomia nos faz refletir sobre as relações de trabalho contemporâneas, onde as facilidades e acessibilidade aos mais diferentes mecanismos de substituição do fazer humano se faz tão comum ao processo produtivo.  Nota-se, portanto, que na atualidade faz-se necessário possuir um diferencial, algo que o torne dotado de excelência na sua função  para que em meio à competitividade, possa destacar-se como a melhor opção.



 AUTOR DO LIVRO:
Emile Durkheim, apresentação e comentários Ricardo Musse