Economia
e Sociedade- Fundamentos da Sociologia Compreensiva.
Por
Edineia Koeler
Filho
de uma família da alta classe média, Weber (1864-1920) encontrou em sua casa um
ambiente intelectualmente instigante. Seu pai era um notório advogado e desde
cedo orientou-o no sentido das humanidades. Sua mãe era considerada uma mulher
muito culta. Weber recebeu excelente educação secundária em línguas, história e
literatura clássica. Em 1882, começou os estudos superiores em Heidelberg, continuando-os
em Göttingen e Berlim, em cujas universidades dedicou-se ao mesmo tempo à
história, à economia, à filosofia e ao direito. Finalizados os cursos,
trabalhou na Universidade de Berlim, na condição de livre-docente, paralelamente,
servia como assessor do governo.
Weber
cresce em uma atmosfera política instigante. Presenciou na infância o processo
de unificação da Alemanha na qual seu pai teve participação ativa. Em 1918, já
adulto, é representante do governo alemão nas negociações de paz em Versalhes.
No mesmo ano participa da comissão encarregada de redigir a Constituição da
República de Weimar.
Preocupado
em compreender as singularidades da cultura ocidental, e em como constituir uma
nação forte numa Alemanha recém unificada, analisa comparativamente várias
civilizações em distintos períodos históricos. Para alcançar seus objetivos, em
Sociologia Compreensiva, Max Weber, busca em “nações” como Índia, China, Grécia
Antiga, Império Romano, França, Estados Unidos, Império Inca, enfim, uma
infinidade de estados que constituíram sua força interna e externa das mais
diversas formas.
Além de compreender a formação política, Weber
se ocupa em entender como se estabelecem as relações sociais em diversas
“esferas” dessas sociedades, abarcando um verdadeiro estudo sociológico desde a
composição do poder na “esfera” familiar, religiosa, até a dimensão política.
Weber desenvolve seu trabalho a partir
de conceitos fundamentais para compreensão de sua obra. Em Sociologia
compreensiva os principais termos abordados pelo autor referem ao “poder” e a
“dominação”.
Dominação em Weber significa “uma
relação de mando e obediência”. De acordo com o autor só existe dominação onde
existem pessoas prontos a obedecer. Discute a questão da legitimação da
dominação onde conceitua algumas formas de dominação:
“A
dominação legal dá-se em função de
um estatuto, seu tipo mais puro é a dominação burocrática. Burocracia em Weber
é a forma de legitimar o poder. Através da burocratização a dominação torna-se
impessoal. Os subordinados passam a obedecer regras, formulários e papeis e não
diretamente a pessoa (superior). Seu princípio é que qualquer direito pode ser
criado e modificado mediante um estatuto sancionado desde que seu processo
esteja previamente estabelecido. Para Weber, o Estado Moderno e a empresa
capitalista são estruturas correspondentes da dominação legal, pois são
associações com fins utilitários.
A
dominação tradicional dá-se em
virtude da crença na santidade dos ordenamentos e poderes senhoriais, sendo seu
tipo mais puro a dominação patriarcal
na qual o “senhor” comanda e os “súditos” obedecem. Neste caso, “obedece-se a
pessoa em virtude de sua dignidade própria, por fidelidade. E o conteúdo das
ordens existe pela tradição”. A dominação tradicional é um exemplo de influência
de valores morais e éticos existentes desde a antiguidade, que aos poucos foram
sendo substituído pela forma de dominação legal.
A
terceira forma de dominação legítima é a carismática.
É fundada na figura do líder. A obediência, portanto, não passa por um estatuto
legal ou tradicional previamente estabelecido, mas, sim, pela figura de uma
pessoa que representa as expectativas sociais. A ordem se fundamenta
exclusivamente no carisma pessoal em virtude da devoção afetiva ao “senhor” e
aos seus dons gratuitos (carisma), vinda de capacidades mágicas, heroísmo,
poder do espírito e do discurso.
Finalmente,
mas não por fim, weber conceitua poder. “Poder
significa toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social,
mesmo contra resistências, seja qual for o fundamento dessa probabilidade.”
De
acordo com o autor, ocorre em todas as relações sociais, e está
disseminado em todas as sociedades e grupos sociais. O poder é uma qualidade
que um indivíduo ou grupo social possui em relação a outros indivíduos ou
grupos. Constitui, portanto, um fenômeno social, e não individual. Sua
característica fundamental é que é um componente de uma relação social.
A
sociologia de Max Weber é extremamente complexa e difícil de ser sintetizada em
poucas páginas. Nesse texto foi possível fazer apenas uma abordagem bem
superficial, mas que creio ser importante para compreensão especialmente de
alunos que tem seu primeiro contato com esse complexo autor alemão.
WEBER,
Max. Economia e Sociedade- Fundamentos da Sociologia Compreensiva. Trad.
Barbosa, Regis; Barbosa, Karen Elsabe. 3. ed. v. 1. Brasília: editora UNB,
1994.
